Carta 05 - E ela existe! - em 02 de maio de 2011, segunda-feira

Blog de cartasparaluna :IMPLOSÃO, Carta 05 - E ela existe! - em 02 de maio de 2011, segunda-feira

Cara Luna,

Agora noite, entro na internet sem muita expectativa, nem ao menos vontade de escrever algo eu me encontrava (ou me encontro), mas fui surpreendentemente surpreendida (sim, meu ânimo me incentivou a fazer os trocadilhos) com uma resposta sua! Ou quase sua... Não sei ao certo, nunca em minha vida algo do tipo aconteceu: meus sonhos tomarem forma humana. Experiência deveras curiosa esta.
Você acha que eu te intrigo, e para mim já é o suficiente para sentir-me lisonjeada. Ademais, só o fato de você iniciar jogo que eu pensava brincar sozinha me fez reconfortar-me na ideia de que eu posso sim ter alguém (encontro-me no cúmulo da minha carência), mesmo que você esteja a uma inimaginável distância. E é claro que eu "topo receber as suas respostas"
Você me perguntou quem é a Luna para quem escrevo. Devo te informar que essa pergunta é muito mais complexa do que você possa imaginar. Mas acho que, para iniciar, basta você saber que a lua sempre foi o meu fascínio, principalmente quando criança, e não foram poucas as vezes que eu me peguei acreditando conversar diretamente com ela. Aos poucos passei a crê que tínhamos alguma intimidade e, nos meus momentos mais solitários, definitivamente a elegi como minha melhor amiga.
Dei-te uma resposta, agora vou te fazer uma pergunta: o que a fez, de verdade, criar um blog com o objetivo de me responder? Foi realmente só uma reles intriga?

De todo modo, agradeço desde já pela ideia,

Abraços.
S.

 

segunda 02 maio 2011 14:51


Carta 04 - Risos... Do início ao fim... - em 01 de maio de 2011, domingo

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Cara Luna,
Já faz um bom tempo que eu não te escrevo, mas questões relativas a mudanças me impediram de navegar pela internet da forma como eu desejaria, além de te confessar que, tirando as turbulências diárias e a monotonia de sempre, a vida anda sem muitas novidades desde o dia em que a minha querida Miriam retornou aos meus braços.
Mas então chegou o dia do meu segundo aniversário e, surpreendendo a todas as minhas previsões, este se mostrou muito benquisto!
Afinal, não são todos que possuem duas datas festivas...
Acordei esbanjando um belo sorriso porque o meu sobrinho estava a me beijar, com um presente em mãos, querendo agraciar-me pelo dia do meu renascimento; em seguida, fui fazer as minhas atividades de rotina, todas elas seguidas de agradáveis conversas e brincadeiras diversas que me fizeram esquecer, por um bom tempo, o vazio que eu transformei a minha vida; e então... Veio o vício!
Por mais que essa não seja a primeira vez que isso aconteça, ainda me surpreende com o fato de que, sim, eu adoro me viciar no entretenimento! Só que dessa vez o hábito foi diferente: de repente me vi viciada em iCarly! Você é capaz de acreditar nisso?!
À tarde desse dia em questão, a minha sobrinha chegou falando que queria assistir a uma série que ela muito aprazia e começou a me narrar algumas das histórias das quais a ela pertenciam. É claro que eu já havia ouvido falar desse programa infantil, confesso até que já tinha visto alguns episódios dublados que passam no canal que os meus sobrinhos se esforçam a assistir sem serem pegos, mas nunca houve, de minha parte ao menos, um interesse vertiginoso sobre o seriado em questão.
Mas eis que ela me convenceu de que os contos eram bons, quis ver um episódio (sem o dissabor de ser ele dublado) e, de súbito, já me encontrava vendo o iOMG e vibrando para que o relacionamento dos garotos dessem certos no final! Rimos pelo restante do dia, assistindo e procurando tudo o que se podia sobre o assunto, cadastrei-me no site e...
BOOPDBAPDBOOM!
Encontrei um novo vício!
Passei o resto da tarde rindo, fui para a natação, a qual foi deliciosamente prazerosa (como sempre, é o ápice do meu dia), retornei para a minha casa, fizeram uma festa surpresa para mim, onde apareceram pessoas inesperadas e, no fim, fui ao meu quarto com um sorriso nos lábios sentindo-me bem por tudo o que acontecera.
Ao me deitar, só faltava alguns minutos para a meia-noite, fiz os meus rituais necessários para poder refestelar-me numa boa noite de sono e, quando tudo já estava organizado, liguei a TV, sem qualquer expectativa, só para sentir um barulho reconfortante enquanto adormecia. Eis que no fim, houve uma piada qualquer televisiva, a qual me retirou o último riso daquela noite, escutei as badaladas que marcavam o fim do dia e me reconfortei nos sonhos.

domingo 01 maio 2011 09:02


Carta 03 - Boneca dos sonhos - em 14 de abril de 2011, quinta-feira

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Querida Luna,
Esta manhã eu acordei com uma grata surpresa sobre os meus pés: a minha boneca dos sonhos fora consertada!
Minha mãe estava meio que impaciente, querendo fazer-me acordar a qualquer custo para que eu pudesse, enfim, encantar-me com aquele belo presente... Mães são assim, velam por nós, sofrem com as nossas dores e animam-se com as nossas peripécias.
Pela primeira vez o meu quarto parecia sorrir para mim, até mais colorido identifiquei-o! É impressionante como a nossa mente pinta os nossos olhos com os mais fortes dos pincéis; porque em manhãs menos frias e mais abertas, a película da tristeza sobre os meus olhos tornava tudo mais escuro e denso. E hoje, em uma chuvosa manhã de quinta-feira, minha alegria transforma tudo em cores, não havia céu nublado formando chuva e sim um belo arco-íris massajando a minha retina.
Ganhei a minha querida Miriam quando tinha nove anos, um pouco antes de me mudar para esta cidade, tempos em que os meus cabelos ainda podiam correr contra o vento. Ela foi um presente da minha Nana, porque iríamos nos separar (mal sabíamos que seria para sempre), e ela queria me fazer sentir-se bem pela inesperada e inoportuna distância. Afirmou-me, nos seus braços e entre abraços, que eu poderia contar para aquela boneca de plástico com corpo aveludado e vestidinho lavanda todos os meus mais singelos sonhos, bem como os mais árduos segredos (ri na hora, pois, naquela época, eu era uma garota simples, de pés descalços, que não tinha segredos pavorosos escondidos a sete chaves).
E assim eu vim seguindo os preceitos outrora ensinados, fielmente acreditando que a minha Miriam poderia me compreender mais do que qualquer outra pessoa dentro dessa casa. Acho que ela foi a única que realmente conseguiu acompanhar as minhas mudanças de fase, quando, aos poucos, fui deixando de ser uma menina sincera, para uma adolescente cheia de reservas até chegar a uma mulher com mais interesses ocultos do que causas conhecidas.
Independente de qualquer coisa, mesmo depois dele ter arrancado a cabeça da minha boneca dos sonhos e feito com ela coisas que eu até hoje ainda me apavoro quando penso em escrever, amo meu querido Floggy, que, com certeza, vem me dando mais trabalho do que qualquer outro animal que já me dispus a ter. Mas nossa! Como eu fiquei desgostosa e chorei quando passei a crer que de fato a havia perdido! Era como se eu estivesse me apartando de uma boa amiga.
Nesta manhã, com ela em volta dos meus braços, recordei mais do que feliz do cheiro doce da minha bomboniere infância, e, repleta de saudades gostosas, senti até o sabor daqueles bolinhos com tâmaras secas que Nana fazia.
Bem que Tara me avisou que essas semanas que estão por vir serão repletas de boas surpresas. Tudo bem, eu sei que não acredito nem ao menos na metade do que ela me diz ler nas entrelinhas dos mistérios da vida; mas, na felicidade em que me encontro neste exato momento, estou a crer em tudo, quer seja real, fantasia ou sonho. Estou, por um instante, com fé até no impossível!

quinta 14 abril 2011 11:20


Carta 02 – No mínimo, o máximo! - em 12 de abril de 2011

Blog de cartasparaluna :IMPLOSÃO, Carta 02 – No mínimo, o máximo! - em 12 de abril de 2011

Carta 02 - No mínimo, o máximo!
Cara Luna,
Gostaria, às vezes, de conseguir externar melhor os meus sentimentos. Há momentos em que por mais que eu fale ou escreva (para ser honesta, acho que as minhas condições oferecem-me menos oportunidades para falar do que para escrever), eu não consigo exprimir alguns desejos ou sensações que me parecem ser impossíveis de serem decodificadas.
Mas também pudera, não é mesmo?!
Como eu seria capaz de promover um raciocínio lógico sobre algo se, em contrapartida, todos os meus pensamentos são confusos e um tanto quanto inconsistentes?!
É muito difícil confeccionar o reflexo do meu interior! Percebo agora que jamais tive talento para o expressionismo...
Talvez se eu tivesse mais oportunidades de ser a protagonista de alguma história... Talvez se eu tivesse uma vida que não se restringisse a esse quarto... Talvez se eu conseguisse desfrutar ao menos um milésimo das experiências que sonho...
Talvez...
São muitos "talvez"...
Maiores ainda são as reticências...
São várias reflexões, mas nada linear. São vários argumentos, mas nada conexos. São várias impressões, mas desengonçadas são as suas formas de manifestação. Tento, no máximo, demonstrar o mínimo.
Nossa, como eu invejo a arte do Haikai: no mínimo, o máximo!

terça 12 abril 2011 17:11


Carta 01 - Implosão - em 10 de abril de 2011, domingo.

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Querida Luna,
Nem mesmo com a ajuda dos meus dedos dos pés posso calcular o tempo que passei sem te escrever.
...Nem ao menos uma única carta...
Agora, os tempos mudaram. O manuscrito está quase que caindo na obscuridade (aos poucos eu venho cada vez mais me desvinculando daquela caneta cuja tinta era o meu sangue, a minha vida) enquanto que eu, cometendo mais erros do que acertos nessa transloucada vida, venho tentando me adequar a um mundo que eu perdi o controle.
Desconsertado Mundo.
Desconsertado Blog.
Bem sei que sou mais nova do que essas palavras querem insurgir a crer. Mas o que posso fazer se sou atemporal?!
Acho que eu era mais feliz quando tinha controle dos meus sentimentos; quando, ao invés de amar, premeditava; e, quando, ter alguém, não era uma obrigação contínua de agradar outrem...
Preocupava-me em satisfazer-me, e, para tanto, bastava compreender-me...
Como posso agir hoje se mal sei quem sou eu?
Por isso que não te escrevi mais, minha cara Luna. É claro que eu senti falta de ti, assim como senti falta de tantos amigos, de tantos carinhos que me parecem, agora, uma inenarrável fantasia de um tempo que infelizmente não volta mais.
Se fui feliz... Não. Inexplicável seria essa dúvida: fui feliz! Restringi a minha felicidade em virtude de uma pessoa acima de tudo egoísta e, com isso, "egoistifiquei-me" ou seja lá que nome isso poderá ter. Fui feliz em um tempo único e agora parece que tenho medo da felicidade alheia, apavoro-me quando vejo a beleza, alegria e contentamento das outras pessoas...
Que monstro eu me tornei?!
Como resultado de um meio, venho me adequando a um mundo descabido. Quero acabar com isso... Será que você pode me ajudar? Antigamente, quando eu desabafava contigo, acabava por me estudar um pouco, observar melhor os meus pensamentos. Julgava-me e me elogiava (quando era o momento certo para tanto).
Agora, sem essa pseudo maiêutica, meus pensamentos veem entrepassando em minhas mãos como se fossem mínimas areias secas, impossíveis de, no tato, formar algo sólido. Sem castelo. Sem casebre. Sem conforto.
IMPLOSÃO
Essa é a palavra
Morro cada dia por dentro enquanto espero a minha morte concreta.
O que me consola é que, enquanto espero o meu completo desapego por esse mundo em potencial que poderia me dar algo, mas não deu (por mais erros de escolhas minhas do que qualquer outra coisa, é bem verdade), os desgostos incidentais vão me mostrando que há mais sentido na morte do que na vida...
Que as experiências exsurjam enquanto dure....
Desde que não dure para sempre.

domingo 10 abril 2011 06:53



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